domingo, 1 de junho de 2014

Sobre estrelas e homens

Hoje, no jornal, falava-se da observação recente de uma explosão 20 vezes mais brilhante do que todas as estrelas da Via Láctea juntas, formando uma “supernova ...ultraluminosa” (sic), à distância de 3,8 bilhões de anos-luz. Seu brilho equivale a 570 bilhões de sóis. Tudo, nesta informação, é marcado por números grandes demais para que a nossa mente assimile: tamanho, tempo, bilhões para lá, bilhões para cá.... Mas não quero reforçar o já muito repetido argumento da nossa insignificância diante disso; muito pelo contrário: admira-me a nossa “significância”: consciências presas dentro de corpos de “seres de um dia “ (como diria Homero), ousando debruçar-se sobre um tempo e um espaço incomensuráveis, presenciando, bisbilhotando e buscando entender. 

 Com certeza, diante do mistério da consciência, os dois grandes vetores que sustentam o palco do nosso teatro da vida, o tempo e o espaço, se relativizam. Que tamanho tem a consciência? Que duração? Se dentro dela cabem bilhões... e ela não se satisfaz ou detém ante esta espetacular cifra?
Dizem que a vida espiritual se caracteriza pela busca permanente de compreensão e encontro da eternidade; parece que basta esquecer um pouco do banal, que a nossa consciência corre para esta direção, como se fosse uma lei da gravidade própria de seu plano: solte-a do trivial, e ela “cai” para o eterno. Tantos mistérios há por trás de cada momento, nessa trajetória que chamamos de vida, trajetória de um ente real por um caminho (espaço/tempo) ilusório... 


 Olhe este Sol que nasce: nós o vemos e fazemos todas estas indagações; será que ele nos vê, e também indaga algo? Ou seríamos os únicos e privilegiados seres conscientes no meio de tudo isso? Quem sabe a Eternidade é que seja a grande observadora de tudo o que há para observar, e nós, que pensamos procurá-la, estejamos sendo procurados por ela desde o início desta dimensão que chamamos de “tempo”? 


Um dia, a consciência forçará tanto os limites desta sua “cela” de matéria, o corpo, que talvez o obrigue a abrir uma nova janela para que ela veja a Eternidade, nascendo, assim,  um novo tipo de visão. Sim, isso me parece plausível, e digno de ser buscado. Em vista disso, tão lógico para mim, em meu dia de hoje, por trás de tudo o que farei, alimentarei minha fome e minha sede de eternidade. "Crer para ver", afinal, talvez seja um mistério ainda maior que seu inverso...mais próximo da verdade.

Um comentário:

  1. Essa reflexão instiga a não descansar enquanto não entender um pouco mais deste mistério que é a consciência.

    ResponderExcluir