domingo, 15 de junho de 2014

Dia da Música



Neste 01 de outubro, comemora-se o Dia Mundial da Música, data escolhida pelo International Music Council, uma instituição criada pela UNESCO, para celebrar esta que é, talvez, a mais querida dentre as artes. A finalidade deste pequeno artigo não é dar definições sobre a música, coisa tão difícil de fazer até mesmo para os especialistas, mas tentar refletir sobre a importância de dedicarmos um dia a refletir sobre ela, e o valor que possui em nossas vidas. Refiro-me aos leigos, aos apreciadores, ou seja, àqueles que, como eu, nem a compomos, nem a executamos, mas apenas desfrutamos dela.
Uma das polêmicas que existem no mundo das opiniões, atualmente, trata exatamente sobre esta questão dos dias comemorativos; quem já não ouviu o célebre pretexto: “Para quê um dia dedicado só a isto? Lembro disto (ou desta pessoa)  todos os dias... datas festivas são só pretextos do comércio para estimular as vendas” Bem, os antigos paravam até as guerras para celebrar os jogos olímpicos, e não me parece que sua motivação fossem as barraquinhas de produtos à venda; desde sempre, o homem soube da necessidade de usar o tempo como seu aliado para não se esquecer dos pontos essenciais da vida; assim nasceram os calendários sagrados, lembrando que as coisas são sacralizadas quando nos ajudam a crescer como seres humanos, e a música, com certeza, cabe aí, possui este poder.
As Musas, de onde vem o nome “música” (“Mousikê”, “arte das musas”), dançavam no Monte Hélicon (a grande hélice ou espiral), em torno do Deus Apolo, com sua lira. A espiral que, através do eterno retorno das experiências humanas, compreendidas cada vez mais profundamente, “puxariam” o homem para cima, para aquilo que há de mais nobre e divino em si, sem dualidades ou contradições... sem “pólos”(origem do nome de Apolo, segundo Platão).
E como a música poderia ajudar nisso? Música é sempre vibração, um padrão vibratório que nos convida e até nos “seduz” para vibrarmos com ela. Uma das famosas máximas herméticas do Caibalion, livro de origem egípcia atribuído ao sábio Hermes Trimegisto, proclama o seguinte: “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra. ” A evolução, segundo esta tradição, seria um “aceleramento vibratório”, que passa basicamente da Matéria à Energia, da Energia à Luz, da Luz ao Mistério, do Mistério ao Espírito, e deste, a Deus. Como a música é essencialmente vibração, ele seria um convite para subir ou descer nesta grande espiral da evolução dos seres. Daí a preocupação do filósofo grego Platão com a música que o governo de um Estado deveria oferecer aos seus governados.
Todos somos testemunhas de como uma boa música nos renova depois de um dia estressante, e de como certas músicas são capazes de gerar em nós um estado de mau humor e irritação, sem que saibamos explicar muito bem como esse mecanismo funciona. Esta sintonia produzida com maior ou menor nível de consciência poderia (e deveria) ser usada na educação, segundo a concepção platônica, para auxiliar na modelagem de um caráter bem formado, harmonioso e, por que não dizer... melodioso.
Talvez seja esta uma das finalidades da instituição deste dia: perceber a música mais do que como entretenimento, como ferramenta pedagógica, que nem sempre temos sabido usar bem. Como se fosse o canto das Musas, que nos convida a ascender ao auge do Monte Hélicon, ou seja, ao cume de nossas possibilidades como seres humanos, até aquele horizonte onde roçamos a nobreza de caráter, a fraternidade como princípio e a integridade como valor.

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