segunda-feira, 23 de junho de 2014

7 de setembro

Sem recorrer a numerologias exóticas, chama-nos a atenção o fato de que nossa data nacional faça referência por duas vezes a um mesmo algarismo: o sete. Para quem não sabe, o nome do mês de setembro vem do latim septem, sete, pois esse era o sétimo mês do primeiro calendário romano, antes da reforma do imperador Numa Pompílio, no século VII a.C.
Também não precisamos correr muito atrás de complexas numerologias para lembrar a todos o quanto este número teve impacto na história da humanidade, nas mais diversas civilizações. Sinteticamente, trata-se do símbolo da harmonia entre céu (3) e terra (4), o centro dos dois triângulos entrelaçados (Estrela de Salomão), o sábio abraço entre céu e terra, que se sintetiza em um ponto central, comum a ambos.
Isso dito, basta convencê-los de que as palavras que designam os fatos, seus nomes, talvez não sejam tão casuais, mas podem tender a coincidir com seus significados mais internos e desconhecidos, tese já defendida pelo filósofo Platão, em seu diálogo “Crátilo”.  Enfim, proponho considerar que o temperamento brasileiro, marcado por essa histórica data nacional, pode se inclinar para uma natural espiritualidade, uma busca de conhecimento deste “ponto interno”, uma busca de harmonia, coisa não difícil de crer, dado nosso pendor à alegria, a desdramatizar a vida, a suportar com bom ânimo a adversidade.
Vivemos um momento em que qualquer conceito sempre se vê interpretado numa chave materialista e imediatista; falar de pátria e de patriotismo, por exemplo, sempre deriva para discussões intermináveis (que não vou questionar se legítimas ou não) sobre problemas políticos e sociais da atualidade. É como se um jovem não conseguisse dizer “Eu te amo” à sua companheira sem que ela começasse a desenrolar um fio interminável de considerações sobre a viabilidade econômica e profissional de um casamento, dadas as atuais condições de temperatura e pressão... que me perdoem os muito objetivos, mas um pouco de poesia é fundamental (e que o poeta também me perdoe a paródia!)
De vez em quando, é bom falar de patriotismo lembrando um pouco desse espírito que nos dá saudade, quando nos ausentamos de casa por muito tempo... lembrar de Brasil, em qualquer lugar do mundo (colocando à parte as inevitáveis associações com personalidades muito ou pouco louváveis), é falar de um lugar inundado de sol e de uma natural alegria de viver....em bom “filosofês”: uma propensão à harmonia e a uma natural espiritualidade. A este espírito eu brindo, e é a ele que eu dedico meus melhores sentimentos (entre eles, uma pontinha de orgulho, por que não?), neste dia de “duplo sete”, no qual comemoramos nossa brasilidade.

2 comentários:

  1. Hoje reli o significado etimológico das palavras agradecido e obrigado. Lendo este texto percebo esse sentimento de gratidão e obrigação, não devemos nenhum favor mesmo assim nos agrada a obrigação desta terra com tantas graciosidades. Grato pelo texto e mesmo assim obrigado.

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