segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre a Arte

“Só o alcance da beleza perfeita de pensamento e de ação completa e realiza, por si mesmo, o propósito de manifestação da natureza da vida humana.”
N.Sri RAM

Arte, do latim ars, artis, parece vir do indo-europeu ar: ajustar, colocar, conduzir para. Parece que todas as palavras vêm à tona para dar forma inteligível a uma necessidade humana, e são legítimas quando não perdem contato com esta realidade original. Arte, por exemplo, pressupõe dois mundos: um, o mundo das ideias, de Platão, perfeito e permanente, e outro, o mundo dos reflexos, ilusório e passageiro, mas que busca concretizar, em suas formas, aquelas formas do mundo ideal. O artista seria a ponte entre estes dois mundos. Quando consegue gerar formas que se assemelham significativamente ao seu modelo no plano das ideias, permite que os homens comuns vejam este mundo através de seus olhos, e inspira-os na direção de seu alcance. Daí podemos deduzir que o verdadeiro artista é sempre um idealista, e fomentador de idealismos.
O homem comum, não artista, também realiza obras, e estas possuem igualmente seus modelos. O conjunto de modelos de que ele necessita poderia ser chamado de “arte de viver”; é um acervo vasto e pouco conhecido em nossos dias. 
Este homem, então, que luta desordenadamente contra uma avalanche de acontecimentos cotidianos, pode-se colocar diante de um Da Vinci ou um Mozart e perceber que a busca da perfeição como meta é, sim, algo humano e legítimo, e extremante benéfico para quem o pratica e para quem o contempla. Pode se sentir inspirado a dar ordem à sua luta, atravessando a avalanche com braçadas ritmadas e harmoniosas. Pode inspirar e até guiar os demais, à sua volta, para fora da desordem e da banalidade.
O filósofo Roger Scruton costuma dizer que “Alguém que se preocupe com o futuro da humanidade deve tentar perceber como pode ser reavivada a educação estética, cujo objetivo é o amor pela beleza.”  A perícia e requinte do artista ao conduzir sua obra é pedagogia para aquele que apenas conduz suas palavras, numa conversação, ou seu carro, no trânsito. 
Na busca pela civilização, ou seja, por uma vida digna de homens, necessitamos de política, cuja base são valores como honestidade e fraternidade; precisamos de ciência, cuja base é amor ao conhecimento; precisamos de arte, cuja base é a beleza. 
Preocupar-se com o futuro da humanidade é um belo ato; em sua área de atuação, uma verdadeira obra de arte. Quem de nós se arrisca ao meticuloso trabalho de buscar a boa arte como conselheira para aprender a construir a si próprio? A recompensa é a exposição permanente de sua forma de viver no memorial dos que lutaram e fizeram diferença, dos que esculpiram a sua vida, tendo como modelos os mais belos sonhos humanos.

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