segunda-feira, 30 de junho de 2014

Reflexão do dia: uma observação sobre os nossos sentimentos

Sabe aquele cachorrinho que, ao ganhar, você acha a coisa mais doce, linda e fofa do mundo, mas, como passar do tempo, esquece disso e começa a prestar atenção apenas na sujeira, nos latidos, no trabalho que dá, e a atenção e o carinho vão escasseando? Um dia, chega um amigo de visita em sua casa e diz: “- Que cachorrinho tão bonito, manso e educado! Parabéns!” E você relembra que tem um animalzinho assim e volta a dar valor a ele... Quem nunca viveu algo parecido?
Pois, num dia desses, observei que a mesmíssima situação ocorre entre seres humanos. Uma pessoa dedica o melhor da sua energia por muitos anos a uma empresa, uma instituição ou mesmo a um relacionamento afetivo; passado algum tempo, percebemos uma certa banalização deste relacionamento, com a outra parte valorizando pouco ou mesmo deixando de ver o valor desta pessoa. Digamos que o nosso protagonista, ele ou ela, comece a fazer algo pela sociedade, e seja reconhecido e valorizado pela qualidade do trabalho que faz; parece que esta apreciação externa “desperta” o antigo parceiro, seja patrão, chefe, marido/esposa, seja o que for; rapidamente, reconsidera seu comodismo e desperta para o esquecido valor do outro.
Não te parece curioso, isso? Que estranho “sentimento” este, que precisa ser estimulado pela opinião de terceiros para não se apagar! Diziam os antigos que o manifestado é perecível, e precisa de um ponto de eternidade para se renovar. Ponto de eternidade, para nós, seria um núcleo sólido de valores humanos bem assentado no centro da nossa identidade. A partir daí, como num farol, iluminaria as coisas com que me relaciono e avaliaria bem sua natureza e valor. Fora disso, há que esperar algum navio eventual passar por ali e jogar suas luzes à nossa volta, como num flash, cheio de reflexos duvidosos.
Não sei se me faço entender: minha intenção não é promover a vitimização, “...porque também fui vítima de um caso assim!”, mas dar a perceber que nos revezamos nos papéis de vítimas e algozes ao longo da vida, uma vez que precisamos todos crescer. Se não nos aproximamos de algo sólido e real, estaremos nas mãos do impermanente e de suas flutuações, inclusive nos planos mental e emocional. Daí, a conclusão filosófica é inevitável: corremos de todos os jeitos e para todas as direções, mas não damos um único passo real, se não nos aproximamos da construção de nós mesmos como seres humanos. E ressalto: construção, e não condicionamento em hábitos, igualmente passageiros e de pouca cobertura.

3 comentários:

  1. Boa noite, por isto a importância da frase do Apostolo Paulo, "observai tudo, retenha o bem". Somos altamente influenciáveis , tanto para o mal como para o bem, observar o bem em tudo e todos é um grande passo para mudar o mundo.

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  2. Gostei muito me encontrei em muitas situações Mas a frase do apóstolo Paulo é perfeita.

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